domingo, 22 de maio de 2016

Minha primeira grande viagem (Teresina/Miranda) (33ª parte)

10/05/84  Ao amanhecer, Fernandinho entrou no quarto e conversou um pouco comigo. Deitou perto de mim, tomou a mamadeira e ficou brincando no quarto. Cochilei mais um pouco e levantei para tomar café com Airton. Na hora da despedida ele deu umas goiabas e mais cinco mil cruzeiros.

Passei no jornal O Estado e ganhei um exemplar com reportagem sobre e a minha viagem.

Atravessei a velha ponte de ferro sobre o Rio Parnaíba e entrei no Maranhão. Atravessei a cidade (Timon) e segui no rumo de Caxias. Muitas subidas, mato, babaçu, plantações de eucalipto.

 Numa parada. Comi as goiabas. Mais adiante, num posto de gasolina, tomei um banho e comi sardinhas.

 Depois, entrei em Caxias. Pedi alimentos em algumas casas e ganhei pão, bolachas, bananas, laranjas, farinha d’água e um prato de comida com feijão, arroz, maxixe, abóbora, tomate, farofa e carne.

Numa praça, embaixo de uma mangueira e em frente a um colégio, atualizei o diário. Depois, pedi mais alimentos e ganhei pão e bananas.

Fui à delegacia de polícia pedir pernoite e guardei a bicicleta. Às 18h30min eu já estava deitado numa rede para dormir. Uma moça, presa numa cela próxima, cantava com voz muito alta. Às 2h30min da madrugada, sentindo desconforto na rede, deitei no chão.


11/05/84 Acordei cedo e comi pão, bolachas e bananas. Constatei que a caixa da bicicleta estava completamente revirada. Notei a falta de uma camisa e algumas bolachas.
Segui viagem. Muitas subidas e o babaçu dominando a vegetação. Num posto de gasolina, tomei banho.

 No entroncamento que dava acesso para Codó e Dom Pedro, num posto de gasolina,  comi as duas laranjas e as bolachas que me restavam. Conversei com alguns motoristas de caminhão. Um senhor pagou uma refeição numa pequena tenda (feijão, arroz e carne).

A partir daí, a estrada tornou-se mais plana e senti que a disposição continuava boa. No acostamento vi uma cobra morta de uns 3 m de comprimento. Mais adiante, vi uma senhora usando um incrível vestido verde fosforescente. Tomei um banho num riozinho.

Entrei em Peritoró. Escrevi um aerograma e despachei no correio. Na pequena cidade, pedi alimentos em três casas. Ganhei 100 cruzeiros, um prato com arroz e peixe, pão e bananas. Numa outra casa, algumas moças curiosas me chamaram e ganhei pipocas e conversei com elas.

Procurei a delegacia para pedir pernoite, mas estava fechada. Fui ao posto policial da estação rodoviária e combinei com um PM dormir lá, no chão. Ganhei um papelão da empresa de ônibus Tïmbira. Comprei dois pãezinhos, comi, bebi água e deitei.


12/05/84 Levantei antes de amanhecer e segui viagem. Caía uma forte neblina. Eu estava me sentindo meio estranho, uma espécie de indigestão. Passei por uma vila chamada Caxuxa.

Mais adiante, entrei em São Mateus. Eram 9 horas da manhã e eu me sentia muito fraco e enjoado. Comprei dois comprimidos de Sonrisal numa farmácia. Depois, num bar, tomei um refrigerante com Sonrisal. Andei um pouco e observei o movimento no mercado público.

Entrei num supermercado e comprei uma lata de goiabada e dois pacotinhos de massa. Sentei à sombra de uma árvore e comi a goiabada. Em poucos minutos, formou-se ao meu redor um grupo de curiosos que ficou me observando. Nada perguntaram.

 Andei um pouco pela cidade. Eu me sentia muito mal. Tomei um banho num posto de gasolina.

Resolvi seguir viagem. Andei uns 25 km soluçando sem parar. Parei para descansar, fiquei meio tonto e vomitei. Tomei uma dose de Eparex e muita água.


Mais adiante, tomei banho num riozinho.

 No final do dia, cheguei a uma vila chamada Miranda. Comprei um litro de leite longa vida e tomei. Comecei a soluçar, fiquei com enjoo. Fiquei descansando num posto de gasolina até me sentir um pouco melhor e fui a um hotelzinho, onde consegui pernoite com os 2.700 cruzeiros que tinha (o preço era 3.000).

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Os morcegos enganados

Quase em 1980, em Porto Alegre, visitei meu irmão. Ele morava num quarto alugado num prédio antigo no centro da cidade.

Após fazer um mingau com Maizena, mais ou menos ao meio-dia, era possível ver alguns morcegos voando num vão entre dois prédios.

O meu irmão, então, mostrou uma coisa curiosa. Ligou o gravador e, logo em seguida, alguns morcegos voaram contra a parede, como se estivessem bêbados.


O meu irmão disse que havia gravado por alguns instantes o som dos morcegos (inaudível para humanos) e, ao ligar a gravação, os morcegos teriam se confundido....

domingo, 24 de abril de 2016

Passeio Benevides/Cupuaçu/Tauá

Depois do meu último passeio em agosto do ano passado, resolvi aproveitar o feriado para encontrar novamente a estrada.
Deveria ser um passeio próximo de 200 km (dia cheio), mas a Lidiane se escalou para ir junto.
Saímos às 6h37min da manhã.
No caminho para Benevides (20 km), intenso trânsito na BR, paramos duas vezes para beber água. 





Atravessamos a cidade e, na saída para a Vila de Cupuaçu, comprei um pacote de bolachas Maria.
A estrada do Cupuaçu é sem movimento, sem barulho e tem o “ar condicionado” das árvores.


Saindo na BR 8 km depois, reencontramos o barulho dos carros, agora menos intenso.


Passamos por Santa Izabel e entramos à esquerda na direção de Vigia. A intenção era entrar num ramal no km 12 e, com mais 28 km, sair na estrada de Curuçá, voltando para Ananindeua por Castanhal.
No km 8, a Lidiane reclamou de dor na poupança. Resolvi encurtar o passeio e fomos só até Santo Antônio do Tauá.
Lá chegando, sentamos num banco da praça por meia hora.



 Na saída, compramos água e iogurte num mercadinho.
Voltamos direto para casa, 48 km, com várias paradas entre 6 e 7 km de intervalo, para descansar os braços da Lidiane.

Lidiane vestiu uma camisa velha por que o sol estava fritando.


Quando estávamos chegando a Marituba, caiu uma chuva intensa que animou um pouco a Lidiane, mas, a 2 km de casa, paramos mais uma vez para descansar.
Chegamos em casa às 15h07min, tendo percorrido 103 km em 8,5 horas (média impressionante de 12 km/hora).
Consumo do passeio: 5,5 litros de água, 100 ml de iogurte e 52 bolachas Maria.

A Lidiane teve a ousadia e a imprudência de levar um aparelho celular para tirar fotografias.

domingo, 17 de abril de 2016

Minha primeira grande viagem (Piripiri/Teresina) (32ª parte)

08/05/84 Acordei às 5h20min. Comi duas laranjas e segui viagem. Tencionava ir até Teresina (168 km).

Passei por uma cidadezinha (Capitão de Campos) e um povoado (Cocal de Telha). Tomei um banho num arroio.

Entrei em Campo Maior. Pedi alimentos em algumas residências e ganhei pão, bananas, laranjas, mangas e leite.

Segui viagem. Plantas rasteiras, arbustos,  coqueiros (carnaúba e babaçu), pastagens com bovinos, equinos e caprinos.

Na sombra de uma árvore comi quatro laranjas. Começaram a surgir árvores grandes. Vi cajueiros e mangueiras.

Entrei em Altos, pedi alimentos e ganhei pão, uma lata com comida (feijão, arroz, farinha e carne de galinha) e cem cruzeiros.

Seguindo viagem, passei por várias subidas pequenas. Vi árvores nativas e plantações de milho e laranja.

Entrei em Teresina no início da noite. Pedi numa casa e ganhei uma laranja. Fui a uma padaria e comprei dois litros de leite e dois pães e enchi a barriga durante uma conversa com um vigilante e alguns motoristas de táxi.

Fui procurar a residência de um conterrâneo, e, no caminho, conversando com outro ciclista, fui convidado a dormir na casa dele. Fui. Lá chegando, tomei banho e jantei. Atualizei o diário.

Num conjunto habitacional chamado Cidade Satélite, o outro ciclista, Osvaldo Ribeiro Paiva, morava com a esposa. Era motorista de ônibus e pedalava 50 minutos de ida e mais 50 de volta para ir à garagem da empresa todos os dias.

Assistimos um pouco de TV e, às 21h30min, fui dormir numa rede que Osvaldo armou para mim.


09/05/84 Alguém estava fazendo alguma coisa na cozinha. Levantei para ver e vi a esposa de Osvaldo colocando uma panela no fogo de chão. Havia fumaça dentro da casa. O almoço de Osvaldo estava sendo preparado. Eram duas horas da madrugada.

 Voltei para a rede. Às quatro horas, quando Osvaldo levantou, tomamos café com cuscuz. Às cinco horas, saímos de bicicleta. Osvaldo ia trabalhar.

 No centro da cidade, nos despedimos e ele me deu 500 cruzeiros.

Tomei um banho num posto de gasolina e fui até a Praça Dom Pedro II, onde comi uma laranja e conversei com alguns policiais. Escrevi alguns aerogramas e despachei no correio.

Fui até o jornal “O Estado” e fui entrevistado. Numa oficina em frente ao jornal, fiz uma rápida revisão na bicicleta.

 Andei na cidade e bati uma foto. Pedi alimentos em duas casas e ganhei pão com ovo, café, uma lata de sardinhas com abridor e farinha. Depois, no refeitório do jornal, almocei a convite do repórter que me entrevistou.

Depois, andei mais pela cidade e procurei a residência do Sr. Airton Bohn, meu conterrâneo.

 Lá chegando, conversei com sua esposa e, mais tarde, com Airton. Lavei uma parte da minha roupa e tomei banho.

Depois, jantamos. Eu, o casal e as três crianças.


Conversamos um pouco e fomos dormir. Durante a noite, tive de ir ao banheiro; estava com diarreia.

domingo, 3 de abril de 2016

Minha primeira grande viagem (Sobral/Piripiri) (31ª parte)

06/05/84 Acordei às 6h30min. Tomei café e segui viagem. Entrei numa vila chamada Aprazível, dei umas voltas, pedi alimento numa casa e não ganhei nada.

Mais adiante, em Ubaúna, também não fui bem sucedido.

Em Frecheirinha, ganhei feijão, arroz, abóbora, carne e farinha. Depois, um copo de café. Segui viagem.

Desde Itapajé eu vi, na beira da estrada, muitas árvores com florzinhas brancas (Pé D’água). Uns dez km depois de Frecheirinha, comecei a subir a serra. Caminhei a maior parte da subida de 10 km. Andei uns 3 km agarrado a um caminhão Mercedes amarelo.

Quase no final da subida, tomei um banho numa fonte. Vi um pequeno açude onde muitas pessoas tomavam banho. Era um balneário.

Entrei em Tianguá. Pedi alimento numa casa e ganhei pão e laranjas.

 Depois, numa outra casa, me convidaram a entrar. Ganhei tomates, laranja, milho cozido, canjica, bolachas e café. O rapaz da casa disse que se chamava Valdir B. Santos. Fiquei lá conversando e Valdir deu uma volta com a minha bicicleta. Atualizei o diário. No alto da serra havia muitos coqueiros de babaçu.

 Saindo da casa de Valdir, um cachorro vira-latas mijou na minha bicicleta. Andei um pouco, pedi numa outra casa e ganhei  bolo, laranjas e uma banana. Comecei a sentir frio. 

Andei mais um pouco, pedi em outra casa e ganhei arroz, ovo frito e carne. Tentei telefonar para mamãe, mas só encontrei orelhões estragados. Voltei à casa de Valdir e telefonei de lá.

Depois, fui até o quartel. Após o comandante autorizar, me instalei no alojamento e dormi.


07/05/84 Levantei às 6h20min. Tomei café no alojamento, comi uma laranja e segui viagem.

 Andei uns dez km de “sobe-e-desce” e comecei a descer a serra. Ao contrário da subida, íngreme e com curvas acentuadas, a descida era suave e com curvas bem abertas. Uns 16 km. Uns 30 periquitos passaram voando na minha frente.

No final da descida, passei por uma vila. 

Mais uns 15 km, outra (Alto Alegre). Vi muitas carnaubeiras e pequenos rebanhos de caprinos, ovinos e bovinos. 

Num trecho da estrada, outro ciclista quis apostar corrida comigo, mas faltou-lhe fôlego. Mais adiante, outro, também cansou.

Entrei em Piripiri às 12h45min. Comi uma laranja e uma banana, me lavei num posto de gasolina e andei pela cidade. Pedi alimentos e ganhei pão, bolachas, cajuína, um prato de comida (arroz, carne e ovos fritos) e café. Nesta casa fiquei conversando um tempo com uma senhora e uma moça e atualizei o diário. 

Piripiri era uma cidade grande, plana e quadriculada. Não vi indústrias e o comércio era razoável.

Pedi mais alimentos e ganhei bananas, laranjas, cuca, leite, café e pão torrado.

Numa casa havia um enorme viveiro cheio de pássaros. Um pássaro preto e branco, muito agitado, parecia ser o rei do viveiro. O dono disse que era um cão-cão e comentou que ele acua qualquer cobra.

Em outra casa, conversei sentado ao sol com dois senhores de idade avançada e fiquei encharcado de suor em poucos minutos.

Ao anoitecer, tomei banho num chuveiro da empresa Barroso e fui até a praça que ficava em frente à igreja. 

Alguns motoristas de táxi com quem eu conversava fizeram uma vaquinha e me deram dois mil e cinco cruzeiros.


Por indicação deles, fui até o mercado público e comi panelada (arroz, carne, tomate, cebola...) e tomei café. Gastei mil cruzeiros. 

Voltei à praça, conversei mais um pouco com os motoristas e me dirigi ao quartel, onde passei a noite.

domingo, 13 de março de 2016

Os massagistas

1) Durante um jogo de handebol, ao arremessar a bola, ouvi um estalo no ombro. Continuei jogando, mas a dor persistia. Pedi para ser substituído.

Estando na beira da quadra, um colega chamado Volter Barden disse que eu estava com a clavícula quebrada e mostrou o degrau no meu osso.

No dia seguinte, com o diretor do colégio, Sr. Fiegenbaum, fui a Vera Cruz. O filho do diretor fazia um tratamento num massagista e provavelmente eu poderia ser atendido na mesma consulta.

Achei estranho ir ao massagista para tratar de osso quebrado.

O consultório, fora da cidade, na zona rural.

Quando chegou a nossa vez, fui logo apresentado ao massagista, Dr. Pauli. Ele apalpou meu ombro e eu ouvi um “plec” igual ao que ouvi quando quebrei a clavícula.

O Dr. Pauli fez uma tipóia, colocou no meu braço e disse para mexer o mínimo possível e voltar na próxima semana. 

Na outra semana, ele examinou meu ombro e disse que um nervo havia ficado preso no osso. Sem fazer força, ele mexeu no ombro e eu ouvi dois “plec”. Colocou novamente a tipóia e disse para usar por mais uns dez dias.

 Depois de quatro dias sem sentir nada, abandonei a tipoia e voltei a jogar bola.

O filho do diretor estava sendo tratado com massagem para melhorar a visão (nervo ótico).
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2) Noutra vez,  jogando futebol, torci o pé e fui a um massagista do time de futebol. Ele lambuzou meu pé com Gelol  e fez uma massagem de uns dez minutos que doeu muito (parecia tortura) e o pé quase não melhorou.
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3) Numa outra ocasião, passando com a bicicleta numa rua que estava sendo pavimentada com paralelepípedos, perdi o controle e caí. Meu braço ficou doendo. Só não doía quando ficava meio encolhido.

 Alguém falou que havia um bom massagista em Santa Cruz do Sul.  Fui de ônibus até a casa da minha tia que morava na entrada da cidade e ela me ensinou onde era a casa dele, próximo à esquina da Rua Juca Werlang com a  Rua Gaspar Silveira Martins. Não lembro o nome do massagista.

O massagista estava no descanso depois do almoço, mas levantou e me atendeu prontamente. 

Falou para eu ficar com o braço “mole”. Sem fazer massagem alguma, ele pegou no braço, mexeu levemente e soltou. Pediu para que eu movesse o braço e eu disse que iria doer, mas ele insistiu. Movi o braço e não senti nada! Ele explicou que um nervo havia passado por cima do ossinho do cotovelo e ele fez o movimento inverso para que o nervo voltasse ao lugar certo!


Depois, ele perguntou se o pulso  estava doendo, pois eu estava com o pulso aberto. Eu disse que não estava sentindo nada e que, mesmo jogando muito vôlei, nunca havia aberto o pulso. Ele examinou o outro braço e disse que o pulso também estava aberto.  Então ele perguntou se eu tinha pé chato e se já tinha tido cãibra alguma vez. Eu confirmei o pé chato e falei que nunca tive cãibra. 

domingo, 6 de março de 2016

Minha primeira grande viagem (Fortaleza/Sobral) (30ª parte)


04/05/84 Levantei às 5h40min. Li uma revista e um jornal,  atualizei o diário. Estava chovendo. Tomei café e me despedi de Tereza, Raimundo e George. Raimundo me deu um litro de leite e 500 cruzeiros “para comprar pão”.

Andei alguns km e a chuva parou. Passei por Caucaia. A estrada seguia por entre milhares de coqueiros (carnaubeiras). 

Entrei em Catuana e despachei os aerogramas no correio. Seguindo viagem, sumiram as carnaubeiras e ficaram só os arbustos e as plantas rasteiras.

Em Croatá,  num posto de gasolina, comi duas laranjas e fiambre, lubrifiquei a corrente e segui.

Em São Luís do Curu, pedi alimentos em duas casas e ganhei bolachas, café e pão. Conversei com uma moça que dizia que tudo era lindo em mim.

 Mais adiante, dei umas voltas em Umirim e fui até Itapajé. Uma igreja cheia de gente, uma praça, uma quadra de esportes e algumas casas. Sentei num banco da praça e atualizei o diário. Algumas pessoas curiosas estavam me observando. Pedi alimentos em duas casas e ganhei milho cozido, bolachas, bolo, tapioca, café e suco de frutas. Depois, fui à delegacia de polícia. O delegado falou que se fosse até Itapajé seria melhor!  Ele falou que eu estava em São Miguel, distrito de Itapajé, e que a cidade ficava 7 km mais adiante.

Subi e desci alguns morrinhos, cheguei e fui direto à delegacia, que ficava na entrada da cidade. Tomei banho, lavei a toalha e duas camisetas. Escrevi aerogramas. Conversei um pouco e juntei quatro bancos no corredor sobre os quais dormi.


05/05/84 Acordei cedo e segui viagem. Havia uma densa neblina.

 Em Irauçuba, pedi alimentos e ganhei pão, café, bolachas, uma maçã, duas laranjas e 300 cruzeiros. Na saída da cidade, junto ao posto da Polícia Rodoviária, comi as duas laranjas. Conversei com um rapaz que estava aguardando carona. Ele era de Novo Hamburgo-RS, pescador profissional,  Jorge Luiz Reichert. Mostrou algumas conchas e búzios e me deu 80 cruzeiros e um par de tênis.

Seguindo viagem, entrei em Forquilha com muita sede. Pedi água numa lanchonete. Pedi alimentos em algumas casas e ganhei pão, bananas, arroz, feijão e farinha.

 Na saída da cidade, Jorge me chamou. Tinha acabado de chegar. Ele me deu mais duas laranjas e dois pedaços de bolo. Conseguiu uma carona numa Kombi até Teresina e seguiu.  

Comi as laranjas e segui até Sobral. Cheguei ao anoitecer. Pedi alimentos numa casa e fui convidado a entrar. Comi bastante feijão, arroz, macarrão e carne. Tomei café. Wanderley, o rapaz que me atendeu, estudava Teologia e Filosofia. Conversamos um pouco. Wanderley tirou uma foto.


Depois, fui até a delegacia, de onde me mandaram para o quartel. No quartel, depois de falar com o oficial do dia e o comandante, tomei banho, fiz um lanche no refeitório dos sargentos e fui dormir no alojamento dos oficiais às 21h30min.